Um conto de amor….

Me apaixonei antes de conhecer, antes de ver o rosto, antes de saber a cor dos olhos, a cor do cabelo, antes de sentir o cheiro. Apaixonei antes de saber os gostos, antes de saber se nos daríamos bem, antes mesmo de falar com ele. Amei! Amei desde o primeiro minuto! Vocês devem estar pensando, essa mulher é louca?! Como se apaixonar assim, sem conhecer, sem ver, sem ao menos conversar??  Eu tinha 17 anos, filha única, tinha apenas alguns meses que eu tinha mudado pra casa do meu pai e da minha madrasta. Não me esqueço, era carnaval viajei e quando voltei me apaixonei. Meu pai me disse que eu ia ganhar um irmãozinho! Sempre fui louca pra ter irmão, pra não ser única, tudo bem que a diferença de idade ia ser enorme, mas eu ia ter finalmente um irmão. Desse dia em diante conversei com ele todos os dias na barriga da mãe dele. A medida que ele crescia lá dentro, meu amor crescia junto. Ah, fui eu quem escolhi o nome dele, eu dei banho, eu acordei a noite (não tinha jeito de não acordar), fiz massagem na barriguinha dele pois ele tinha cólicas homéricas. Ele dormiu em cima da minha barriga, dormiu no meu canto.  Essa pessoinha veio ao mundo pra eu saber o que é o amor de verdade. Amor que não tem distância, que não tem problema, que não tem barreiras que apaguem. É um amor que não diminui, que só aumenta. É um amor que dá paz, que traz sossego, alegria, harmonia. Fiquei desempregada uma época e fiquei meio babá dele. Levava na escolinha, no futebol, na natação. Jogava vídeo Game e ele comia verdura pra aprender a jogar vídeo game igual a mim.  Ele dividia o danoninho dele comigo, as balas, os pirulitos, enfim, ele dividia todas as ‘porcarias’ que ele adorava e ainda adora. Ele esperava eu chegar da faculdade pra dar um beijo de boa noite, perguntar se podia apagar a luz do quarto dele e só aí ele dormia. Um dia, ele tinha uns 4 anos e eu cheguei do serviço com muita dor de cabeça. Ele entrou no meu quarto passou a mãozinha na minha cabeça e perguntou o que eu tinha, falei que tava dodói e ele falou igual eu falava com ele quando chegava da faculdade: “fecha o olhinho que eu vou apagar a luz pra você dormir”.  Uma outra vez eu tava triste porque tinha terminado um namoro e ele perguntou porque eu estava triste e eu contei. Ele falou (tinha 4 anos gente): “não fica triste maninha, ele não te merece”. Até hoje quando eu lembro disso fico rindo sozinha. Quando eu voltei pra minha cidade, foi dele quem senti mais falta e ele até aprendeu a mandar mensagem do celular do meu pai pra mim, falando sempre que me amava e que estava com saudade.Quando eu voltei, a minha maior alegria era saber que eu ia poder estar sempre perto dele de novo, pra cuidar, pra proteger, pra brigar, pra brincar!  Não pensem que sou só carinhos com ele não porque sou brava, meu pai fala que ele tem mais respeito por mim do que por qualquer outra pessoa, eu falei é lei. Hoje, eu olho pra ele e vejo um rapazinho, de 12 anos, um pré adolescente, que já não me chama de maninha há alguns anos, mas me chama de Luh. Que entra no meu quarto pra me dar beijo de boa noite e as vezes até cuida de mim.É meu menino, que eu ainda ajudo a fazer o dever, que deita no meu canto pra ver filme, que vai ao cinema comigo e nem é BV mais. Cheio de fãs no Orkut, na escola e na vida. Ele é uma criança linda, tem olhos azuis, tem cheiro de irmão mais novo, tem o abraço mais gostoso do mundo, é moleque e ao mesmo tempo maduro! Somos amigos, sempre conversei de igual pra igual, nunca menti pra ele e espero que ele nunca precise de mentir pra mim. Como eu não ia me apaixonar por ele gente?? Eu costumo brincar que se eu não tiver filho, eu já tive, por tabela mas tive: Gabriel!! Meu irmão, minha vida!!! Sou capaz de tudo por esse menino. Essa é a minha história de amor!! Uma história real, de um amor puro e incondicional! 

Beijos de irmã

Luh